uma tese para uma criança

Hoje encontrei uma reportagem que tem relação com o meu objeto de estudo, o que afinal me trouxe para Portugal. O link está aqui. Partilho com os leitores interessados em história do livro, novos autores, mercado editorial, escritores brasileiros, pequenas editoras, livros artesanais, tipografia e coisas do tipo.

No mês passado foi a primeira vez que falei sobre meu projeto de tese. Tive oportunidade de expor minhas ideias em Salamanca e aqui em Coimbra. Numa das ocasiões, rolou uma conversa sobre o quanto é difícil resumir nosso objeto de estudo (mesmo para quem está imerso no mundo acadêmico também), seja porque ainda não conhecemos bem o nosso objeto e ele ainda está se delineando, seja porque ele é muito complexo ou nós enrolados. Ouvi de um professor uma frase sobre isso que achei memorável:

“Você saberá o que estuda e conhecerá sua tese quando conseguir explicar a uma criança de cinco anos sobre seu assunto sem entediá-la”

Segundo este professor, há quem passe a vida inteira fugindo deste enfrentamento, unindo fragmentos de conteúdos que esperamos encontrar algum sentido para a escrita da tese ou para uma publicação posterior. Enfim, passa a ser uma obsessão particular que nos acompanha de tal maneira que não conseguimos olhar para fora, tampouco explicar para alguém nossas motivações de pesquisa – que podem perfeitamente misturar-se com as nossas questões pessoais de busca pelo sentido da vida. A vida acadêmica e nossos objetos de estudo servindo de psicanálise desde o primeiro olhar.

Meu esforço está sempre em não me tornar hermética (talvez seja meu eco didático que funciona como um sensor interno). Agora, tenho este novo desafio: tentar explicar pessoalmente às crianças da minha vida o que me fez faltar às últimas festas de aniversário delas em um futuro breve. E, claro, vai ter que ser uma explicação bem convincente!